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A busca por qualidade de vida

A qualidade da vida que levamos está diretamente relacionada com nossa performance pessoal, ou seja, é um indicador do quão somos eficazes ou não na gestão da nossa vida.

Como não existem “manuais de funcionamento” para o ser humano, vimos, através dos tempos, num processo de ensaio e erro, inferindo caminhos para o bem viver. Algumas vezes acertamos (só alegria), outras ficamos um pouco aquém das nossas expectativas (puxa! que tristeza!).

Claro está, também, que nossas exigências e necessidades se modificam ao longo da vida e, para isso, adaptações, ajustes, redirecionamentos deverão ser operados de forma a que nosso “termômetro” indique, pelo período mais prolongado possível, um alto nível de bem viver.

Nossas dimensões humanas, vinculadas à satisfação das necessidades de nossos corpo/mente/espírito, se alternam e nos solicitam, o tempo todo, escolhas. De algumas destas escolhas obtemos resultado imediatamente, bons ou ruins. De outras, entretanto, os resultados levarão certo tempo para serem capitalizados ou aparecerão apenas em certas épocas da vida, quando poderemos ser tomados de "surpresa" com algumas “não conformidades qualitativas”. Será tarde?

Nunca é tarde, desde que tomemos a rédea da vida em nossas mãos e, para os casos em que o planejamento não foi adequado as nossas metas, fizermos correções, adotando uma atitude corajosa e sábia de revisão e ajuste.

“Serviços corretivos” existem às toneladas e é um segmento de mercado muito interessante do ponto de vista econômico - altamente lucrativo para o prestador de serviço. Encontram-se aí todos os recursos que permitem aliviar o que nos incomoda, extraí-lo, reduzi-lo, aprender a conviver com ele ou radicalizar, quando possível, com a não conformidade em relação à nossa expectativa.

Nessa categoria, pensando nos ambientes estatal, organizacional, institucional, familiar e individual, desde estruturas complexas de atenção a doenças até nossa "necessaire", que carregamos conosco e que contém comprimidos, ataduras e demais recursos paliativos para aliviar ou sanar pequenas dores (cefaléias, digestão difícil, etc.) são soluções das quais lançamos mão e que representam despesas cada vez mais significativas.

Por outro lado, e bem menos valorizados porque não envolvem vultosas quantias e nem se dirigem ao encontro de processos lucrativos, encontramos os “serviços preventivos”, que nada mais são do que reorientações, reeducações, aprendizados, inovações de comportamento e de hábitos. E...é isso! A saúde é valorizada pelos que a perderam parcial ou totalmente, mas aqueles que a tem não se percebem ricos ou privilegiados e se descuidam da prevenção - regra geral para sua manutenção e melhora.

A valorização destes processos, em geral, tem sido e continua sendo “quanto custa” e, para aparecer o interesse por eles, é preciso aparecer antes a necessidade. Se estamos saudáveis, nada custa, nem temos a percepção do quanto vale. Somente quando surge a carência é que notamos seu valor e aí, nem sempre podemos “adquirir” sua solução, pois algumas são decorrentes de hábitos e comportamentos que não estão à venda.

As organizações assumiram papeis de provedores da correção para seus funcionários, e os custos se elevam mais e mais. Pessoas querem, por sua vez, garantias de que suas carências ou “não conformidades” sejam atendidas e, para isso, tem lutado por regulações que exigem, por meio do contrato de trabalho, a oferta desses recursos como alimentação, serviços médicos, transporte, medicamentos, hospitais, helicópteros, etc... Para isso, foram criados padrões com mais ou menos tecnologia, com maior ou menor sofisticação, e a meta passou a ser que cada um tenha o melhor em correções, como se isso garantisse saúde total.

Com a elevação significativa dos custos desses recursos, as instituições perceberam que prevenir correções, manter ou estimular a saúde é mais vantajoso, custa menos e, conseqüentemente, melhora a produtividade. As pessoas, também, passaram a notar que, quanto mais hábitos saudáveis adotarem, menor é o sofrimento e maior a satisfação.

A partir da década de 90, um movimento em favor da reversão de doenças, da promoção de saúde e do investimento em planos de vida saudável foram e, continuam sendo, insistentemente estimulados. Ambientes coletivos ou programas individuais são, hoje, alvo de gestores de pessoas, em função das vantagens obtidas com comportamentos e modo de vida saudáveis.

Pessoas felizes, realizadas, integrais, equilibradas, harmonizadas, . . . de bem com a vida! Essa é a palavra de ordem vigente, agora, numa relação ganha-ganha neste aspecto. Treinamentos, cursos, congressos, apoios profissionais especializados, livros, enfim, esses recursos educativos e de suporte tendem a substituir os recursos corretivos/paliativos. A qualidade da nossa vida é consequência do que fazemos dela: corpo - mente - transpessoalidade. Viver melhor é a máxima humana e é, cada vez mais, a máxima, também, nas organizações.


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