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A arte de não adoecer

As doenças são reações do nosso organismo a diversos tipos de "ataques" a ele, mesmo os que não são "reais", mas apenas interpretados como tal. Assim sendo, um dos maiores geradores de males para o nosso organismo é o medo (percepção psíquica de ameaças). Vários tipos de medo podem gerar reações em nosso corpo e, com elas, vários tipos de doenças...

Sob esta perspectiva, muitos podem pensar que, então, ser saudável é não ter medo de nada! Bom, não exatamente. Não ter medo de nada, além de extremamente perigoso (você pode ser atropelado quando for atravessar a rua) é virtualmente impossível. Simplesmente porque a maior parte das coisas das quais temos medo são inconscientes. O medo, você sempre sente, mas não sabe do quê. Você pode, até, impedir-se de reagir com medo, representando para si mesmo que você é "inexpugnável", ou "inatingível", mas o medo estará lá (e os efeitos dele também). Muito melhor do que "fingir" ser o super-homem é conhecer-se muito bem, a ponto de saber onde estão seus medos, e lidar objetivamente com eles (não super-estimar os riscos).

Alguns medos são tão comuns que são confundidos com um "jeito de ser":

O medo de falar de sentimentos é muito comum, principalmente entre os homens. Confunde-se a abertura aos sentimentos com "fragilidade" e "feminilidade". Como se as emoções, nos homens, fossem coisas a serem ignoradas... Acontece que as emoções são, no aparelho psíquico, o que as dores são no aparelho físico: uma fonte importantíssima de informações. As dores nos dizem que há algo acontecendo com nosso corpo que requer atenção: um ferimento que requer cuidado, por exemplo. É o mesmo com as emoções: elas nos dizem o que nos afeta e como, de forma que possamos tomar uma providência a respeito! Ignorar nossas emoções é ignorar o que pode estar no fazendo mal e deixar a coisa piorar indefinidamente, até transformar-se em algo sério! Emoções e sentimentos escondidos, reprimidos, podem acabar gerando doenças como: gastrite, úlcera, dores musculares, na coluna e, até, em coisas graves como um câncer. Desabafar, partilhar o que nos aflige é um poderoso remédio, uma excelente terapia, uma ótima maneira de não adoecer!

O medo de fazer escolhas e tomar decisões é outro que é muito comum. Tem-se, freqüentemente, medo de errar ou medo de perder o que "ganharia" se a escolha fosse outra. Acontece que a única maneira de adquirir experiência, sabedoria de vida, é errando. Quem não erra não aprende.

Gostamos mais de acertar porque nos admiramos e os outros nos admiram, mas o acerto não nos ensina nada! Se estamos na dúvida é porque nosso conhecimento naquele aspecto está insuficiente. Se acertarmos, será mera sorte e o conhecimento não virá (o "porquê" de ser daquele jeito e não de outro). Vamos permanecer na dúvida e, provavelmente, teremos a mesma dificuldade no futuro! Não gostamos de errar porque temos medo da avaliação negativa dos outros e da nossa própria, mas errar só será, mesmo, ruim se a conseqüência do erro for, mesmo, grave (será que estamos sendo irresponsáveis por nos lançarmos em uma escolha sem estarmos preparados para ela? Será que não estamos conseguindo ser humildes para aceitar o nosso melhor possível?)

Uma coisa é certa: não há garantia de acerto nunca. Craques do futebol eventualmente erram pênaltis, grandes médicos eventualmente cometem erros simples, grandes analistas financeiros eventualmente fazem análises grotescas... A história da humanidade é feita de decisões, de acertos e de muitos, muitos erros. Se você não se decide, deve estar esperando que a vida tome a decisão por você e, aí, é "agüentar" as conseqüências!

Além de enfrentar o medo de errar, para fazer escolhas, para tomar decisões é preciso saber renunciar, renunciar ao que se vai perder com a escolha feita. É preciso saber perder algumas vantagens e valores para ganhar outros e isto exige desprendimento e humildade... Quem não quer perder nunca, está se iludindo com a "pré-potência": a perda faz parte da vida. Para começar, a cada dia perdemos um dia de nossas vidas, bem ou mal vivido! Toda escolha que fazemos ou fazem por nós envolve perdas. A perda é, na verdade, apenas uma maneira de ver, uma maneira de interpretar a situação: quando você escolhe uma escola para estudar, "perde" tudo de bom que a outra poderia lhe dar; quando você escolhe alguém para se casar, "perde" tudo de bom que uma outra pessoa poderia lhe trazer; quando você escolhe tomar uma cerveja, "perde" todas as boas sensações que um bom vinho lhe traria... a vida funciona assim!

Deixar-se bloquear pela indecisão acumula problemas, preocupações e agressões contra nós mesmos e contra os outros. O estresse gerado pela indecisão pode gerar doenças nervosas, gástricas e problemas de pele! Se você é um indeciso, comece por desvendar, analisando-se, por que motivos você não consegue fazer suas escolhas, decidir-se... A decisão alivia o coração e nos preserva a saúde!

O pessimismo costuma ser um belo disfarce para o medo de viver. As pessoas pessimistas, muitas vezes, não têm auto-confiança suficiente para acreditar que podem encontrar saídas para as situações da vida e escondem-se atrás da crença de que tudo vai dar errado. Assim, não terão que tomar atitudes que sentem não ser capazes de tomar! Com isto, muitas vezes os seus problemas parecem cada vez maiores, bloqueando sua ação e gerando para si e para os próximos um ambiente cada vez pior que acaba por trazer mal-estar e doenças, entre as quais a depressão.

Como se sai do pessimismo? Mudando sua atitude diante da vida, assumindo a responsabilidade pela própria vida e indo atrás da auto-confiança necessária para ser o autor dela. A auto-confiança é resultado de um aprendizado: é o aprender a viver, vivendo; é o aprender a fazer, fazendo: comece a fazer, a realizar. Para isto é preciso arriscar-se a errar no início, mas a experiência trará a competência!

O bom humor recupera a saúde e a capacidade de criar um ambiente rico e feliz à sua volta. Se você for capaz de manter o bom humor e alegrar o ambiente em que vive terá, além de saúde, felicidade!

Todos nós temos uma origem comum: a infância. Todos fomos um principezinho ou princesinha no início das nossas vidas e todos, em algum momento, perdemos este lugar especial para "cair na real". Como, certamente, nenhum de nós gostou de "perder a majestade", de ser destronado, quase todos queremos fazer coisas para sermos, novamente, admirados, elogiados, nos sentindo especiais. Alguns mais do que outros... Muitas pessoas, para se sentirem especiais, criam para si um mundo de aparências: passam o tempo todo tentando mostrar para si mesmas e para o mundo que são o que querem parecer ser e esta é uma vida muito pesada que gera muitas angústias e muito estresse. Tudo por medo de não serem tão especiais quanto gostariam...

O caminho da saúde está em nos aceitarmos como somos e, para isto, é fundamental que nos conheçamos: que saibamos como realmente somos! Certamente não somos mais um príncipe ou princesa, mas aquilo em que nos tornamos é, quase sempre, melhor do que o que jamais fomos, pois a vida, provavelmente, só nos fez cada vez melhores!

Se eu me rejeito, a falta de auto-estima faz com que eu me torne um algoz de mim mesmo, sabotando a minha vida e as minhas possibilidades de sucesso e felicidade. Se me aceito como sou, posso aproveitar minhas qualidades e, a partir delas, eliminando ou compensando meus pontos fracos, construir-me uma pessoa cada vez melhor e mais realizada...

Se o medo é um grande gerador de mal-estar e doenças, para lidar com ele o melhor caminho é a fé. Nada que tenha a ver, diretamente, com religião, mas a fé embasada na confiança. Confiança em si, confiança em que algo superior mantém os acontecimentos em seu melhor caminho, confiança de que, seja lá o que aconteça, disto sairá algo na direção do melhor: trará, no mínimo, sabedoria de vida. Se não quiser adoecer, confie.

Por último, a saúde estará onde estiverem relacionamentos saudáveis. Manter o canal aberto para comunicar-se com as pessoas, o coração aberto para ouví-las e compreende-las e tolerância para aceitar as diferenças são atitudes que constroem amizades verdadeiras e vínculos afetivos recompensadores e trazem, para você, estabilidade, segurança e paz interior, levando a saúde física e psíquica e à criação de um ambiente propício a bem-estar e felicidade.

Em suma, a arte de não adoecer é também a arte de construir uma vida feliz!

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