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A família
Um conceito desejável de família poderia ser: pessoas que, mesmo se não me compreendem e não me aprovam, me respeitam e me aceitam como eu sou (ou como consigo ser). Aparentemente, a maioria delas é assim, mas, apenas, aparentemente. De uma maneira geral, as pessoas têm uma idéia sobre "como se deve ser" e os membros da família acabam não escapando de julgamentos e pressões derivadas disto. É comum que o grupo familiar espere que todos funcionem mais ou menos de acordo com estas idéias (preconceitos?). Talvez não cheguemos a ter consciência disto, mas não deixamos de sentir seus efeitos.
O relacionamento em família costuma ser complicado. As pessoas são quase sempre muito diferentes entre si, vivendo juntas, dividindo o mesmo espaço, dividindo a atenção umas das outras, tentando conciliar modos de ser e modos de pensar muitas vezes quase incompatíveis. A tolerância, nestas horas, é imprescindível. A aceitação e o reconhecimento do jeito se ser de cada um como válido, o reconhecimento do direito de ser como se é afeta diretamente, a maneira de sentir-se no ambiente familiar. A construção da família é uma tarefa contínua.
Toda família tem uma dupla característica: a de ser um porto seguro, um oásis de tranqüilidade e segurança em alguns momentos e, também, conflituosa e sufocante em outros. Pais muito ausentes ou excessivamente presentes, falta de tolerância uns para com os outros, ciúmes, inveja, falta de compreensão podem gerar a necessidade de desenvolver máscaras e disfarces para se conseguir um lugar, para sentir-se respeitado, aceito. Não é raro famílias em que os papéis tradicionais: "pai-provedor", "mãe-cuidadora", "filhos-cuidados" estejam trocados, causando disfunções que alteram toda a estrutura psicológica de seus membros. Em famílias onde um dos membros tem alguma necessidade especial é comum que alguns familiares desenvolvam um comportamento de "cuidadores" e passem, com o tempo, a sentir-se dependentes de tê-los para cuidar para não se sentirem inúteis.
Para recuperar a saúde da convivência em família, precisamos aprender a reestruturar os relacionamentos disfuncionais e cortar seus aspectos sufocantes para torná-los saudáveis e compensadores. Caso contrário, a família pode se constituir em um ambiente que, em lugar de um oásis de tranquilidade e segurança, seja conflituoso, torturante, insuportável.
Para construir relações familiares saudáveis:
- Procure se conhecer melhor e conhecer melhor as pessoas de sua família para poder perceber em que pontos o relacionamento está insatisfatório e por quê.
- Procure perceber as divergências de opinião e pensamento e avaliar até que ponto elas podem ser negociadas.
- Procure, em si mesmo e em seus familiares, onde estão os pontos limites, as fronteiras de cada um e promova o respeito a elas.
- Procure respeitar seus familiares como eles são, sem querer mudá-los, e faça-se respeitar como você é. Para isto, é claro, é preciso que você se respeite como é, em primeiro lugar...