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A vida vale um sonho?

O "valor" é, em si mesmo, um assunto complexo. Aquilo que tem valor para uns, muitas vezes, não tem nenhum valor para outros. O valor, em nossas vidas, é extremamente relativo e o pior é que não percebemos isto. O que, normalmente, está mais ligado a valor para nós é algo que vale dinheiro: "bens de valor" quer, normalmente, dizer que vale dinheiro. Mas, se você está perdido na selva, talvez a coisa de mais valor acabe sendo uma fruta silvestre! O valor de algo, na verdade, depende das circunstâncias: se você está apaixonado por alguém, o que há de mais valor para você é a atenção, o amor deste alguém, e isto não custa nenhum dinheiro (porque, se custar, acredite, não vai ser de nenhuma valia para você!)

Se o valor das coisas é tão relativo, certamente preciso prestar atenção em mim, no que sinto, no que estou vivendo, para saber a que eu dou realmente valor; se não, corro o risco de gastar tempo, energia, um bom pedaço da minha vida lutando por algo que, no final, não vai pagar meu "sacrifício".

A vida "vale a pena"? Esta é uma pergunta muita válida nestas circunstâncias. Ainda mais, se a mudarmos um pouco, nos perguntando: "a minha vida está valendo a pena"?

Entrar numa luta ferrenha por conquistas na vida é um perfil comum entre os executivos de hoje. Certamente, uma "luta ferrenha" envolve muitos sacrifícios, muitas "penas". E o resultado... vale estas "penas"? É de Fernando Pessoa a frase famosa: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena." Por quê será que ele achou que uma "alma grande" faz tudo valer? Provavelmente, porque ter uma "alma grande" é como estar aberto a aprender com a experiência, adquirindo sabedoria (sobre o mundo e sobre si mesmo) e, certamente, a sabedoria de vida nos dá cada vez mais noção do que vale a pena na vida:

  • que caminhos seguir e que caminhos não seguir,
  • que escolhas fazer e que escolhas não fazer...

Deste modo, todas as experiências por que passamos que poderíamos julgar que não “valeram a pena”, ou que foram “bolas fora”, valeram sim, porque valem como sabedoria de vida!

E sonhar, vale a pena? Provavelmente, depende do que achamos que é um sonho. É muito comum ouvirmos por aí pais chamando a atenção de filhos com frases como: "Você é um sonhador! Caia na real!" Isto porque os jovens são, muito freqüentemente, sonhadores. A vida ainda não lhes ensinou que muitas coisas não são tão fáceis como eles imaginam que seja. Mas... será que é preciso cortar-lhes as asas assim? Não seria melhor deixar que a vida se encarregasse de lhes ensinar ao invés de "quebrar-lhes as asas"? Devemos nos preocupar, sim, se nossos filhos vão adquirindo responsabilidade, mas devemos, também, ter cuidado para não matar suas possibilidades de voar vôos altos! Sem os sonhos de pessoas como Santos Dummont e os irmãos Wright não haveria aviões hoje. Nem asas delta, nem ultra-leves... A história humana está repleta de conquistas em diversos campos que só foram possíveis porque alguém tinha um sonho do qual não desistiu. Alguns casos de amor, que geraram muita felicidade, também só aconteceram porque o sonho de ser felizes juntos valeu mais do que as adversidades.

Mudando, assim, de perspectiva, acho que podemos começar a ver muitas coisas que têm, sim, valor para nós e que estavam esquecidas, enterradas lá embaixo, por uma voz que retumba em nós, provavelmente até hoje: "pare de sonhar, menino!" É bem real a frase que diz: "as infelicidades, a vida nos traz de graça; a felicidade, temos que construir!" E construir a felicidade passa por reencontrar todas aquelas pequenas coisas que são realmente valiosas pra nós e dar espaço a elas na nossa vida. E, pode apostar, estas pequenas coisas estão perdidas nos sonhos que não nos permitimos ter!

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