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O que eu faço… faz sentido pra mim?

Uma das origens da depressão é não ver mais sentido na vida. Para os executivos, sua vida é praticamente seu trabalho e perder o sentido do que estão fazendo no trabalho significa, para estas pessoas, freqüentemente, perder o sentido da vida: depressão. Por isso, existe uma forte relação entre a percepção de sentido no trabalho e sua saúde física e mental: a vida sob pressão constante por resultados (cujos objetivos, muitas vezes, não se conhece) e num ritmo que não dá lugar para uma vida pessoal tem resultado em casos cada vez mais freqüentes de depressão no mundo corporativo.

A permanência em situações da qual não se conhece a relevância é, também, causa de estresse e doença. No início de carreira, os jovens executivos percebem sentido neste trabalho estressante e são mais indulgentes com a ética porque seu objetivo é subir na carreira e na vida. Para eles, a pressão é menor e, também, seus efeitos. Com o tempo e a experiência, à medida que sua carreira a atinge um determinado patamar, dão mais importância à imagem que a empresa tem no mercado e à identidade social que ela lhes empresta. Tornam-se, também, mais propensos a perder o sentido do que estão fazendo pois aquele que tinham como o principal, subir, perdeu sua força. Se ele exerce uma função na qual suas potencialidades não se realizam, perder o sentido no trabalho é uma questão de tempo. Mais uma razão para que as empresas se preocupem em colocar o homem certo no lugar certo, em funções que são capazes de exercer, em que tenham autonomia para exercer sua função e sintam a confiança depositada em suas competências.

Neste aspecto, a saúde do executivo depende de seu amadurecimento pessoal e da ampliação da percepção da importância dos valores éticos em suas vidas, pois a tendência é que a maioria tenha um discurso diferente de sua prática porque são pressionados por resultados, algemados por bons salários e pelo status que o cargo proporciona. Alienar-se de si próprio, entregando-se às aparências sociais e abrir mão de si mesmo para conseguir ser aceito, ter bens materiais e relevância social é a mais grave falsificação de seu ser. Perder o contato consigo mesmo é não ser capaz de perceber o que o afeta negativamente, impedindo que tome alguma providência para parar de sofrer, e é, também, perder a capacidade de viver intensamente, com alegria e paixão tornando a vida sem sabor e, muitas vezes, sem sentido.

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